sábado, 27 de setembro de 2014

O Grande Mito do Colesterol


A arte da medicina consiste em divertir o paciente enquanto a natureza cura a doença.”

Voltaire

Nota prévia
Há dias fui fazer umas análises de rotina e o meu colesterol total estava a 287 mg/dL. Isto signfica que, segundo a American Heart Association, estou num nível não desejável e em alto risco de desenvolver doença cardíaca. Segundo esta organização de saúde, o colesterol ideal deve situar-se abaixo dos 200 mg/dL. Felizmente, não me receitaram nenhuma medicação para baixar o colesterol, disseram-me apenas para fazer algumas mudanças no meu estilo de vida, nomeadamente no que diz respeito à alimentação, porque perceberam que fazia exercício físico com alguma regularidade.

Admito que achei alguma piada em relação às recomendações que me fizeram, mas também não estava à espera de outra coisa, tendo em conta o meio onde estava. Por outro lado, continuo a ficar desapontado com estas idas ao médico porque fico sempre com a sensação que falta explicar qualquer coisa e que, no final, temos que ser nós a tomar conta de nós próprios e a fazer a investigação.

No nosso mundo moderno, o colesterol tem sido tratado como um vilão graças aos promotores da hipótese dieta-coração, ou seja, de que a ingestão de gorduras saturadas e de colesterol produz placas, estreitamento das artérias coronárias e, eventualmente, enfarte do miocárdio.
Muitas pessoas andam a tomar a pastilha para baixar o colesterol (vulgo estatinas) porque pensam que desta forma vão prevenir ataques cardíacos e viver com mais saúde. No entanto, não é isso que tem acontecido e as taxas de mortalidade não têm diminuído. Não é ter o colesterol baixo que faz bem à saúde!
O estudo de Framingham, o estudo de maior duração e talvez o mais signficativo efetuado até à data, demonstrou que a ingestão de colesterol na dieta não tem qualquer correlação com doença cardíaca. O nosso corpo tem a capacidade de produzir mais ou menos colesterol em função daquele que ingerimos e o colesterol da dieta tem muito pouco efeito no aumento do colesterol no nosso corpo (se calhar já ouviu dizer que era preciso comer menos ovos por causa da gema, que é, por acaso, a parte mais nutritiva do ovo). Lembre-se disto: a causa do colesterol elevado não é o colesterol que ingerimos, nem as gorduras saturadas.
O colesterol é uma das substâncias mais importantes do nosso corpo e a verdade é que as nossas células e os nossos órgãos precisam dele para podermos viver. Inibir a enzima que está envolvida no processo de formação do colesterol (HMG-COa reductase) – que é o que acontece quando se tomam as tais estatinas – pode trazer consequências desastrosas no longo prazo, como vamos ver em seguida.
Os mitos do colesterol
Mito nº 1 – O colesterol causa enfartes do miocárdio.
Mito nº 2 – As estatinas (grupo de fármacos utilizados para diminuir o colesterol) são seguras e vão prolongar a sua vida.
As notas mais importantes
1) Metade das pessoas com colesterol normal têm doença cardíaca e metade das pessoas com colesterol elevado têm corações normais.
2) O colesterol é um componente vital nas nossas vidas e precisamos dele para a produção de hormonas, vitamina D, função celular, função cognitiva, pele e para nos proteger de infeções no intestino, pulmões e de acidentes vasculares cerebrais.
3) De acordo com alguns estudos na Europa, quanto mais alto o colesterol, mais tempo vamos viver. No estudo de Framingham as pessoas com o colesterol mais elevado viveram mais tempo.
4) Foi-nos dito há várias décadas atrás que o colesterol na comida elevava o colesterol no nosso corpo mas isto foi baseado em investigações mal efetuadas nos anos 60 e 70, esses estudos não podiam ser publicados hoje.  Aliás, esses estudos demonstraram que o colesterol é um mau preditor de doença cardíaca.


5) A verdadeira causa da doença cardíaca é a inflamação, é esta que forma a placa nas artérias e normalmente está associada ao excesso de peso, ao que comemos e ao açúcar. O açúcar é que é o verdadeiro inimigo, o vilão!
6) As estatinas são drogas anti-inflamatórias e baixam o colesterol mas o colesterol não é a verdadeira causa de doença cardíaca e têm muitos efeitos secundários. As estatinas podem ter alguma utilidade para homens de meia idade com doença coronária (de preferência aqueles com colesterol HDL baixo). Para as mulheres e crianças, estas drogas não têm nenhuma utilidade.
7) Alguns efeitos secundários das estatinas são: diabetes, cancro, perda de memória, calcificação nas artérias coronárias, disfunção sexual, dores musculares, fadiga, problemas no fígado. Nós não ouvimos falar disto porque esses casos não são reportados como deveriam.
8) O estudo Women’s Health Initiative mostrou que as mulheres pós menopausa que tomaram estatinas, tiveram uma incidência de 48% de diabetes; no Jupiter Study, em mulheres mais novas, houve uma incidência de 13%. As mulheres precisam de ter cuidado com isto, já que estas drogas podem predispor as mesmas para o cancro também.
9) A ideia é, portanto, baixar a inflamação crónica para manter o coração saudável, não é baixar o colesterol para manter o coração saudável. Como se pode fazer isso? Através da comida, da redução do stress, do exercício físico e de vários suplementos anti-inflamatórios como por exemplo o óleo de peixe e a vitamina D (apanhar sol de vez em quando é boa ideia).
10) É importante fazer o teste de partícula do colesterol LDL. Nem todo o LDL é mau. Temos o LDL A, que é composto por partículas grandes e flutuantes e temos o LDL B, que é composto por partículas pequenas e densas. O LDL A é completamente inofensivo enquanto que o LDL B é especialmente perigoso porque é aquele que se cola à parede das artérias causando inflamação, placa e o desenvolvimento de doença cardíaca.
11) O problema na sua dieta é o açúcar, não é a gordura saturada.
Conclusão

Baixar o colesterol por si só não é a solução para viver com mais saúde e prevenir doenças cardíacas. Como vimos existem outros fatores bem mais importantes que este, como por exemplo controlar os nossos níveis de inflamação crónica, através da redução de açúcar e alimentos processados, ingestão de água, realização de exercício físico, redução do stress, suplementação e descanso adequados.

Os Benefícios do Exercício na Função Cognitiva


O Exercício estimula o poder do cérebro. 
O nosso corpo não foi desenhado para estarmos sentados a trabalhar numa secretária durante 8 horas. Desde uma perspetiva evolutiva, os nossos cérebros desenvolveram-se enquanto andamos à procura de comida, de abrigo, a atravessar rios ou a fugir dos leões e outros animais. Está comprovado que aqueles que fazem exercício com regularidade superam a comunidade sedentária na memória de longo prazo, no raciocínio, na atenção e na solução de problemas.
Os cientistas estimam que os nossos antepassados caminhavam à volta de 10-20 quilómetros por dia! Isto significa que os nossos cérebros desenvolveram-se quando estávamos em movimento e não quando estávamos sentados. Para chegar a estas conclusões os investigadores mediram o poder do cérebro de uma população sedentária, prescreveram exercício e depois reexaminaram os efeitos do exercício no seu cérebro. Ou seja, eles descobriram que quando as pessoas sedentárias fizeram um programa de exercício aeróbico, com uma duração mínima de 4 meses, as suas capacidades cognitivas melhoraram.
Aconteceu o mesmo com as crianças em idade escolar. Num estudo recente, as crianças que correram 30 minutos 2 ou 3 vezes por semana, durante um período de 12 semanas, melhoraram significativamente o seu rendimento cognitivo. Quando compararam os resultados com aquelas crianças que desistiram, os investigadores descobriram que havia uma relação direta entre aquelas que faziam exercício físico e aquelas que melhoraram as suas capacidades nos testes.
 

Que tipo de exercício é melhor? Quanto tempo?

Surpreendentemente, depois de anos e anos de investigação em populações idosas parece que nem é necessário fazer muito exercício para podermos ver alguns benefícios. Tal como tudo na vida, a quantidade não é a solução. Se tudo o que faz é caminhar várias vezes por semana, o cérebro vai beneficiar. No laboratório, descobriram que fazer 30 minutos de exercício aeróbico 2-3 vezes por semana já é suficiente para haver alguns benefícios. E, mais importante, se acrescer a isto treino de força, os benefícios são bastante superiores (partindo do principio que o programa é adequado, como é óbvio). Atenção, os estudos falam de exercício aeróbico e normalmente as pessoas associam isto ao jogging ou às caminhadas, lembre-se também que nadar, andar de bicicleta ou fazer qualquer tipo de treino em circuito também podem ser formas de exercício aeróbico. O importante é que faça alguma coisa.
Então, se calhar, o exercício pode prevenir o aparecimento de doenças cognitivas?
Através de várias experiências efetuadas em todo o Mundo, com milhares de pessoas, os resultados são claros. O seu risco de vida para Demência é literalmente reduzido para metade e para Alzheimer o efeito é ainda superior – o exercício aeróbico baixa as probabilidades de contrair esta doença em mais de 60%. A chave é fazer algum tipo de exercício (não necessariamente aeróbico) pelo menos duas vezes por semana para conseguir o benefício. Se além disso, caminhar 20 minutos por dia, pode reduzir para mais de metade o risco de ter um Acidente Vascular Verebral (AVC) – uma das causas mais comuns na população idosa e cada vez mais recorrente em pessoas mais novas.
Muitos trabalhos sugerem que a atividade física pode afetar de forma poderosa o curso deste tipo de doenças. E pensa-se que isto acontece porque o exercício regula a libertação de três neurotransmissores, que estão comumente associados à preservação da nossa saúde mental: serotonina, dopamina e norepinefrina. Embora o exercício não possa substituir o tratamento psiquiátrico (ainda que seja o único “medicamento” que não causa efeitos secundários), o papel que o exercício tem na forma como nos sentimos é tão pronunciado que alguns psiquiatras (os que veem para além das drogas) começaram a recomendar um programa de atividade física em paralelo com o tratamento convencional. Tanto para a depressão como para a ansiedade, o exercício é muito eficaz para ajudar as pessoas a combater estes problemas.
Ok, já percebi que o exercício é bom para o desenvolvimento do cérebro mas…como é que isso acontece?
O cérebro, tal como todos os músculos e órgãos, é um tecido e a sua função diminui com a subutilização e com a idade. A partir dos 30 anos, a maior parte de nós perde cerca de 1% do volume do hipocampo, uma região do cérebro fundamental no desenvolvimento da memória e da aprendizagem.
O exercício parece fazer abrandar ou reverter este processo, tal como acontece com os nossos músculos. Antigamente pensava-se que nascíamos e morríamos com um determinado número de células no cérebro, mas a partir de várias descobertas nos anos 90 descobriu-se que é possível fazer crescer novas células e formar novas ligações através de um processo chamado neurogénese. Segundo as últimas investigações em neurociência e parafraseando o Prof. John Ratey da Harvard Medical School, “não há nada melhor que o exercício para estimular a criação de células novas.” Ou seja, quando pensamos / aprendemos formam-se novas células, mas quando fazemos exercício, formam-se muito mais células.
Ainda não é totalmente claro como isto acontece, o que se sabe é que a nível molecular, vários estudos efetuados em ratos indicam que o exercício estimula um dos fatores de crescimento mais poderosos do cérebro, o Factor Neurotrófico Derivado do Cérebro (em inglês Brain Derived Neurotrophic Factor ou BDNF), uma substância que fortalece as ligações entre as células e que estimula a neurogénese, i.e, a formação de células novas no cérebro. Pense no BDNF como um fertilizante que vai ajudar os nossos neurónios a se desenvolver.
Apesar dos cientistas não conseguirem determinar efeitos similares nos nossos cérebros e admitirem que pode haver outras explicações para aquilo que acontece no nosso hipocampo quando fazemos exercício, eles descobriram que a percentagem de BDNF aumenta na corrente sanguínea após a realização de uma sessão de treino. Boas notícias para quem anda a treinar!
Conclusão
Se fizer uma busca rápida sobre os benefícios associados ao exercício vai verificar que o exercício fortalece os músculos e os ossos, previne o desenvolvimento de mais de uma dezena de cancros e de outras doenças cognitivas, fortalece o sistema imunitário, melhora o perfil lipídico no sangue reduzindo o risco de diabetes e de doença cardíaca, reduz os efeitos tóxicos do stress, melhora a nossa saúde cardiovascular, ajuda a melhorar a composição corporal, aumenta a autoestima, melhora a forma como nos sentimos, etc.
Além disto, está também provado que o exercício melhora a nossa capacidade intelectual. Portanto, cortar no exercício físico – a melhor atividade que existe para melhorar o rendimento cognitivo – para ter melhores notas é a mesma coisa que tentar perder massa gorda sem ligar à alimentação. Ou seja, não faz sentido!


Grande parte dos estudos que têm sido efetuados neste âmbito (relação exercício vs. desenvolvimento do cérebro) têm visado protocolos de exercício aeróbico, possivelmente por influência das recomendações das principais organizações mundiais de saúde e por ser mais facilmente aplicável. Portanto, não é claro que a atividade tenha que ser obrigatoriamente aeróbica para podermos ver estes benefícios, um número limitado de estudos nos últimos anos identificou melhorias cognitivas entre pessoas mais velhas que apenas levantaram pesos. Na verdade, os benefícios do treino de força são imensos e como tal essa é outra das evidências que vou apresentar numa próxima oportunidade.

Recomendações

Com base naquilo que vimos e de forma a potenciar os efeitos do exercício no desenvolvimento do nosso cérebro, recomendo o seguinte:
1. Caminhe pelo menos 20 minutos por dia.
2. Se tem que trabalhar sentado oito horas por dia, levante-se de hora a hora, faça uns alongamentos e de vez em quando faça 5-10 flexões ou agachamentos. O seu corpo e cérebro vão agradecer.
3. Treine de forma inteligente 2-3 vezes por semana, entre 30 a 60 minutos. De forma inteligente significa não fazer apenas treino na passadeira e nas máquinas e pensar que treinou bem. Faça treino de mobilidade, de activação dos glúteos e core, de força, de potência e de desenvolvimento dos sistemas de energia.
4. De acordo com as últimas investigações em neurociência, não é muito boa ideia faltar às aulas de Educação Física ou ao desporto que praticam no Clube para ter melhores notas. Se tem filhos e pensa que isto pode ser a solução, talvez deva reconsiderar. Os neurocientistas devem saber o que dizem.
5. Se é empresário ou ocupa um cargo de diretor de uma empresa, se calhar é boa ideia estimular a prática de exercício físico durante o horário de trabalho como uma forma eficaz de aumentar a produtividade dos seus colaboradores e de prevenir baixas por doença.
Se já chegaram ao fim do post, agora é a melhor altura para fazer umas flexões ou agachamentos para ficarem ainda mais inteligentes :).
Até breve!

10 Hormonas Essenciais na Perda de Massa Gorda




1. Grelina
A grelina é uma hormona produzida pelo nosso estômago e é a tal que envia o sinal ao nosso cérebro a dizer que estamos com fome. Reduzindo as calorias, numa tentativa de perder peso, causa um aumento na grelina. Mesmo após 12 meses a fazer uma dieta baixa em calorias, os estudos dizem-nos que os níveis desta hormona mantêm-se elevados. Por outras palavras, o seu corpo nunca se vai adaptar a comer menos! Reduzir as calorias não é a solução porque o seu cérebro vai estar sempre a receber a mensagem que está com fome. Esta é a razão pela qual as dietas com este tipo de abordagem não são bem-sucedidas. Podem ajudar a melhorar no curto prazo mas não são sustentáveis no longo prazo.
Além disto, é importante notar que o stress e a privação de sono estão associados a um aumento da grelina.
Qual a fórmula para diminuir os níveis de grelina? Exercício intenso e sono adequado.
2. Leptina
A leptina é uma hormona produzida pelas células gordas e pelas células que revestem a parede do estômago. Esta hormona interage com o nosso cérebro regulando o nosso apetite e metabolismo, ou seja, esta é a hormona que nos diz a quantidade de “gasolina” que temos no corpo e quando estamos saciados. Quanto mais massa gorda temos, mais leptina o nosso corpo vai libertar. Uma produção elevada desta hormona não é desejável porque pode causar resistência à leptina, influenciando os sinais de saciedade que chegam ao nosso cérebro. Ou seja, quanto mais massa gorda, maior será a probabilidade de desenvolver resistência à leptina. As consequências começam na obesidade e podem evoluir para o cancro, envelhecimento e degeneração neurológica.


Para maximizar a sensibilidade à leptina, é importante dormir bem, realizar uma dieta rica em antioxidantes dos frutos vermelhos e comer muitas verduras. Perder massa gorda vai também aumentar a sensibilidade à leptina, pelo que quanto mais gordura perdermos, mais eficaz será o sinal de leptina no nosso corpo.
3. Adiponectina
A adiponectina é outra hormona da saciedade mas, ao contrário da leptina, quanto mais magros somos, maior quantidade de adiponectina o nosso corpo vai libertar. Esta hormona (produzida pelo tecido adiposo) aumenta a capacidade dos músculos utilizarem hidratos de carbono para energia, aumenta o metabolismo, aumenta a velocidade de queima de gordura e reduz o apetite.
A adiponectina pode também ajudar a proteger as nossas artérias do stress oxidativo, já que tem um papel fundamental na supressão de distúrbios metabólicos que podem resultar em diabetes tipo 2, obesidade, arteriosclerose e doença do fígado gordo não alcoólico.
Para maximizar os níveis de adiponectina, é importante manter um estilo de vida mais ativo e substituir os hidratos de carbono por gorduras monoinsaturadas (azeite, pera abacate, frutos secos, sementes).



4. Insulina
A insulina é uma hormona produzida pelas células beta do pâncreas e desempenha um papel fundamental no nosso corpo na recuperação do exercício, na formação de tecido muscular, no envelhecimento e na manutenção dos níveis de açúcar no sangue. No entanto, quando a ingestão de hidratos de carbono é alta e existe uma produção excessiva de insulina no corpo, verifica-se uma maior dificuldade na queima de gordura. A insulina e os hidratos de carbono estão diretamente relacionados – quanto maior o consumo de hidratos de carbono, maior a produção de insulina e maiores as probabilidades de armazenar gordura.
Para otimizar os níveis de insulina no seu organismo, limite a ingestão de grãos e amidos (batatas, trigo, milho, aveia, centeio, arroz, massa) na sua alimentação e coma a maior parte dos hidratos de carbono das verduras e das frutas.
5. Glucagon
O glucagon é uma hormona produzida pelas células alfa do pâncreas que atua de forma diretamente oposta à insulina. Enquanto a insulina armazena os hidratos de carbono e “constrói” gordura, o glucagon é responsável pela quebra dos hidratos de carbono e gorduras (um processo chamado lipólise), para que o nosso corpo possa utilizá-los(as) como fonte de energia.
A fórmula mais eficaz para melhorar a relação insulina vs. glucagon é através de uma alimentação rica em proteínas e baixa em hidratos de carbono. Ou seja, para melhorar a composição corporal, é fundamental estimular a libertação de glucagon.
6. Colecistoquinina (CCK)
A colecistoquinina é libertada das células dos intestinos sempre que comemos proteína ou gordura. A CCK comunica com o nosso sistema nervoso aumentando os sinais de saciedade, ao mesmo tempo que trabalha com o nosso estômago para tornar o processo de digestão mais lento. O resultado final é: sentimo-nos mais cheios durante mais tempo!
Para otimizar a libertação desta hormona, coma proteína e gordura em cada refeição.
7. Epinefrina (também conhecida como Adrenalina)
Conhecida como a hormona fight or flight (tal como o nosso sistema nervoso simpático), a epinefrina é produzida pelas glândulas suprarrenais potenciando a queima de gordura e a sua libertação sob a forma de energia para o nosso corpo. O exercício é a melhor forma para aumentar a produção desta hormona, principalmente o treino intervalado de intensidade elevada.
8. Hormona do Crescimento
A hormona do crescimento, considerada por muitos como a hormona da juventude, também ajuda com a queima de gordura. Esta hormona é libertada da glândula pituitária anterior e interage com as células gordas, facilitando a quebra de gorduras armazenadas e a sua utilização como fonte de energia.
A hormona do crescimento pode ser aumentada através do treino de força, treino de resistência metabólico, treino intervalado de alta intensidade e do…sono. Para maximizar os efeitos desta hormona, treine de forma inteligente, durma bem e reduza o consumo de álcool.
Importante notar ainda que a hormona do crescimento é importante na formação óssea, tecido conjuntivo e no fortalecimento do sistema imunitário.
9. Cortisol
O cortisol é outra hormona produzida pelas glândulas suprarrenais e é mais comummente conhecida como a “hormona do stress”. A maioria das pessoas pensa que o cortisol é “mau” mas o que é definitivamente mau é o excesso de produção de cortisol, que advém do stress diário que cada um de nós está sujeito. Uma quantidade adequada de cortisol é fundamental para a nossa vida diária e uma deficiência desta hormona pode causar problemas de saúde, inclusivamente a morte.
Porquê que o cortisol é importante? Porque é esta hormona que causa a libertação de glucose e de ácidos gordos do nosso fígado, fornecendo a energia necessária para estarmos alertas e para levarmos a cabo as nossas tarefas diárias. Em condições normais, com um sono adequado e sem stress, os níveis de cortisol estão altos pela manhã e vão baixando ao longo do dia.
 
O cortisol libertado através do stress, da falta de sono e – surpreenda-se! – do treino aeróbico de longa duração, vai aumentar os níveis de açúcar no sangue, potenciando desta forma o aumento de massa gorda, principalmente na zona da cintura.
Como informação extra, tenha em conta que níveis elevados desta hormona podem despoletar o aparecimento de várias doenças, já que as consequências de ter o cortisol alto enfraquece o nosso sistema imunitário, diminui a sensibilidade à insulina, diminui a formação da memória de longo prazo e acelera o envelhecimento.
10. Hormona Peptídea YY (PYY)
A hormona peptídea YY é uma hormona produzida no nosso intestino que reduz a sensação de fome e melhora a sensibilidade do nosso sistema nervoso central à leptina (a tal que nos diz quando estamos cheios).
Para libertar uma maior quantidade de PYY, é fundamental comer mais proteína e gordura (a proteína liberta ainda mais PYY que a gordura). Os hidratos de carbono libertam muito pouca PYY pelo que esta é explicação pela qual o sumo de laranja com cereais ou uma sandes mista com leite ao pequeno-almoço, deixa-o esfomeado poucas horas depois.
Para maximizar a produção desta hormona e elevar o seu metabolismo (isto vai ajudá-lo na perda de massa gorda), coma mais proteína e gordura nas suas refeições.
Conclusão
Se não tem pachorra de perceber os mecanismos fisiológicos que despoletam a perda de massa gorda (e eu percebo que existem muitas outras coisas interessantes…), vou resumir tudo aquilo que vimos neste post da maneira mais simples possível.
A única forma saudável de conseguir perder massa gorda, melhorar a sua composição corporal e viver com melhor qualidade de vida é através da manipulação de três ingredientes chave: Nutrição, Exercício e Sono.
Se controlar estes três ingredientes de forma adequada, as probabilidades de viver melhor aumentam exponencialmente.
Até breve
 

 


terça-feira, 23 de setembro de 2014

As Pontadas Abdominais (Dor de burro)

De uma forma geral, poderemos dizer que existem três tipos diferentes das chamadas pontadas abdominais, também vulgarmente conhecidas pelos corredores como "Dor de burro".

1- O mais conhecido e frequente corresponde a uma insuficiência circulatória aguda. O coração não desempenha completamente a sua tarefa de bomba aspirante face ao esforço físico que lhe é exigido. O sangue venoso bloqueia-se ao nível do fígado ( lado direito do abdómen ) ou no baço (no lado esquerdo), órgãos que, assim congestionados, tornam-se dolorosos.

É esta a famosa "Dor de burro"que, de uma forma geral, ataca todos os jovens nas suas primeiras corridas, os novos amantes da corrida ainda insuficientemente treinados em endurance ou, ainda, e por estranho que pareça, os corredores bem treinados, mas que correm em competição para além das suas possibilidades físicas de momento.

Estas pontadas também costumam aparecer logo no início das corridas, o que é devido a um mau aquecimento, relativo ao esforço que o corredor vai efectuar. Neste caso, o coração não foi acelerado para assegurar o débito sanguíneo exigido por esse mesmo esforço e o atleta em plena corrida, vítima desta pontada, é obrigado a diminuir o seu andamento.

Nestes casos, por vezes, é bastante eficaz intensificar a respiração, insistindo particularmente em numerosas, fortes e prolongadas expirações. No decorrer destas expirações forçadas, pode também pressionar-se fortemente com as mãos o lado dolorido do abdómen, a fim de comprimir o órgão congestionado.

Nada melhor do que prevenir este estado através de um treino bem conduzido e impondo um ritmo de corrida de acordo com as possibilidades de cada um e com o grau de treino já efectuado.



2- O segundo tipo de pontada corresponde a uma dor muscular ou tendinosa dos abdominais ou do diafragma. Esta pontada abdominal traduz-se sempre por uma dor quase idêntica, bem localizada, aparecendo ao fim de certo tempo de corrida e muitas vezes sem qualquer relação com o andamento aplicado.

Trata-se de uma dor inflamatória, de uma tendinite ou de uma velha cicatriz de lesões musculares, motivada por acidente sanguíneo. Com efeito, o corredor que começou a ficar cansado vê o seu teor de ácido láctico aumentar ao nível sanguíneo. Muitas vezes, estes corredores têm por hábito efectuar um tipo de ginástica abdominal incorrecta. Claro que os músculos abdominais exercem uma acção fundamental na corrida ( suportam as vísceras abdominais e possuem uma acção vital no mecanismo respiratório ) e daí a necessidade de os desenvolver correctamente e de uma forma mais ou menos frequente. Contudo, será bom evitar musculá-los numa posição incorrecta ou numa contracção bastante prolongada. A musculação estática favorece, com efeito, as lesões das diferentes componentes músculo-tendinosas.

Para curar este tipo de pontadas abdominais aconselho uma completa interrupção da ginástica abdominal durante um período variável de um a dois meses, seguida de um cauteloso programa de musculação dinâmica, executado em diferentes séries curtas e de uma forma progressiva e tecnicamente correcta.

3- Por último, analisemos o terceiro caso típico de dores abdominais cuja origem é digestiva.

A digestão exige um afluxo sanguíneo ao nível do abdómen, favorecendo, assim, a congestão dos órgãos abdominais. Este caso de dor de burro aparece frequentemente nos corredores que não respeitam a regra das 4 horas exigida pela última grande refeição anterior à corrida. Na realidade, é necessário cerca de 3 a 4 horas para que uma refeição normal seja bem digerida.

A pontada abdominal pode também aparecer sob a forma de uma dor de origem intestina, motivada pela hiperfermentação dos glúcidos ( açucares ) ou hiperputrefacção de carnes no colon direito. Estas pontadas podem normalmente aparecer nos atletas que abusam de féculas ( colite direita ) ou de carnes ( colite esquerda ).

Para as evitar, o ideal será tentar seguir uma dieta equilibrada, que não exclui, no entanto, o regime hiperglúcido dois ou três dias antes de uma corrida importante.

Como se verifica, as causas são várias. O corredor que costuma ter estas dores com frequência deve analisar o problema para tentar descobrir as suas causas. Na maior parte dos casos, penso que o ideal será, o corredor ser o seu próprio médico...

terça-feira, 13 de maio de 2014

EDUCAÇÃO FÍSICA NAS ESCOLAS


  Atualmente, fico muito contente com o nível de desenvolvimento em várias escolas pelo mundo fora no que diz respeito ao desporto e às atividades que o envolvem. Fico especialmente contente quando a educação física é uma disciplina que faz parte do horário dos alunos e docentes das várias escolas espalhadas pelo mundo fora, uma vez que a educação física só traz vantagens e praticamente nenhuma desvantagem.

 

        As vantagens da prática de desporto nas escolas

 

        Existem imensas vantagens ao praticar educação física nas escolas, tanto pela saúde, pela motivação dos alunos e ainda pelo desenvolvimento do organismo dos seus praticantes. Estudemos as vantagens da prática da educação física. Não deixo de recomendar situações da maior importância.
 
   Tirar partido da motivação dos alunos
 
 
Em várias escolas, a educação física ainda é vista como uma disciplina complementar, como se esta fosse menos importante que matemática por exemplo. No meu tempo, se bem me recordo, nem era uma disciplina que contava para chumbar de ano, mas também era muito difícil conseguir tirar nota negativa em cada trimestre. A maior parte dos alunos não gosta muito de aulas teóricas, vendo a educação física quase sempre como a aula mais fixe, ou mais bacana. Verdade seja dita, que há muito mais espaço para se divertir numa aula de educação física do que numa aula teórica.


Assim, a prática da educação física nas escolas eleva a motivação dos alunos não só para a atividade física, mas para todas as aulas. Mesmo que os alunos se sintam mais cansados no final dos dias que praticaram desporto nas aulas, saem para fora da escola com a ideia que vale a pena ir à escola, porque é divertida. Assim, as aulas de educação física são muito importantes para o desenvolvimento do aluno em todas as disciplinas. É uma disciplina complementar, mas fundamental.



A prática de vários desportos melhora a forma física dos participantes

        É uma verdade cruel que existe muita gente que a única atividade física é ir para o emprego, e vão de carro. A falta de atividade física tem criado problemas de saúde a muita e boa gente, que se preocupa mais em ganhar dinheiro do que cuidar de si mesmo. A educação nas escolas percebeu esse problema e não vai nunca descartar as aulas de educação física do horário dos alunos. A prática de futebol, basquetebol, natação, badminton, andebol, voleibol e outras atividades e modalidades desportivas melhora imenso o organismo nos mais novos e ajuda-os imenso a desenvolver.

        A boa prática desportiva quando somos ainda crianças ajuda a desenvolver imenso o nosso organismo. As várias atividades físicas praticadas aos longos dos anos desenvolvem diferentes partes do corpo, fazendo as crianças desenvolver com força, energia e vontade de continuar a praticar atividades físicas em adulto.



        As aulas práticas de educação física tem atividades em grupo como nenhuma outra disciplina disponibiliza.

       As aulas teóricas por vezes tornam-se cansativas pelo simples facto de ficar a olhar para o quadro e escrever o que a professora está a dizer. E quando são demasiado cansativas ou desmotivantes, os alunos acabam mesmo por não aprender nada e procuram algo para se distraírem e deixar passar o tempo. Nas aulas de educação física, a distração é regra prática durante a prática de atividades físicas.

        Desde que saem no balneário e voltam para o balneário, há sempre a boa disposição, a vontade de brincar, de saltar, de correr. Tudo isso é muito bom para a mente dos alunos, ajudando-os a sair da rotina das aulas teóricas e carregando baterias nas aulas práticas. Assim, ao recuperar energias e elevar a motivação e o ânimo, até as aulas teóricas de tornam mais divertidas.



Cada pessoa vê diferentes vantagens das aulas de educação física. Para algumas, as aulas físicas não são uma vantagem, pois não são boas a praticar desporto. Porém, as vantagens que as aulas práticas trazem para o dia-a-dia, a força que os alunos ganham ao praticar desporto na adolescência e a motivação elevada pela prática desportiva são vantagens que não fogem à razão.